Tem muita gente viciada em Placebo

Tem muito stakeholder de software que está viciado em placebo, eles ganham elogios a cada solução construída, quanto mais funcionalidades melhor, mais botões, mais telas e relatórios. Essa percepção vale tanto para clientes, diretores, gerentes, analistas, desenvolvedores, usuários, etc. Pode ser consciente ou inconsciente, pode ou não gerar prejuízo ou apenas agregar menos valor que o possível.

As vezes lembra o conflito previsto na Teoria da Agência, quando o representante escolhido pelo proprietário para assumir a empresa pode ter em alguns momentos seus objetivos profissionais descolados dos objetivos da companhia. Mesmo sem má fé ou prejuízo relevante, algumas decisões podem ser tomadas porque lhe dará visibilidade, oportunidades, buzzz, uma pena isso!

Bastam alguns anos em desenvolvimento de software e muita gente se acostuma a receber elogios e se promover fazendo algo chamativo, aparentemente rápido, difícil e ruidoso. Mas tem que parecer que exigiu “pulso”, que teve que tirar leite de pedra, mostrando os outros como problema e não como solução, afinal, sendo herói é mais fácil ser reconhecido … assim gera mais elogios e bônus.

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Muitos gerentes calculam ROI convenientemente, nunca estimam o quanto de dívida técnica acumularam, sempre escondendo a maldição da múmia (cheios de remendos que vão consumir a empresa por anos e depois disto ainda exigirá que parte ou o todo seja refeito).

Está na hora de perceber que software não é mais telas de 24 linhas x 80 colunas em somente texto. Hoje em dia, qualquer projeto envolve várias camadas, webservices, variados frameworks, bases de dados variadas, com SW open source e proprietário, soluções complexas que exigem “times” de verdade.

Cada vez tem menos espaço para a cultura do herói, que se fazia de mártir, com coadjuvantes que mais pareciam saídos do filme Tempos Modernos. Há 50 anos já temos opção, modelos de eliminação de desperdício, valor real, sustentável, auto-organizado, em não fazer aquilo que não precisa, MVP, … 

Temos que acabar com a cultura do placebo, não só na TI, mas em todo lugar, como na política, todo político quer fazer obras vistosas, rápidas, que entrem em seu mandato atual, que gerem factóides e placebo. Placebo gera BUZ imediato, e, para sorte dos responsáveis, os custos ocultos posteriores caem em outra rubrica … sempre olhando para o próprio umbigo, enrolando, fazendo de conta.

A solução não é abrir a caixa de pandora, não é declarar guerra ou romper com a cultura empresarial. Comece devagar, sem rupturas, mantendo ou mudando um pouco de cada vez, o primeiro passo é escolher um time e projeto, um bom treinamento e começar a rodar … lembre do que James Shore falou no Agile Brazil 2012 sobre aplicar Agile em Agile, avance com calma e de forma segura.

O  passo mais importante é o primeiro, é sair da inércia, depois é curtir a viagem e construir algo de bom a cada passo, melhorando um pouco a cada jornada. Bilbo Bolseiro já dizia: “Você pisa na Estrada, e, se não controlar seus pés, não há como saber até onde você pode ser levado …” \o/

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