0

Dojos não são iniciativas pessoais, são organizacionais

Em todo evento, abertos ou internos a empresas, há sempre um falso-dilema, profissionais reivindicam mais agilidade, mais qualidade, excelência técnica e tecnologia, mais boas prática de Clean Code, TDD, peer review, … A solução é Dojo, é treino prático, mas as empresas não dedicam tempo para isso em seus planos de projeto.

Analogia ao DOJO KATA (道場 ), local de treino das artes marciais, sobre movimentos de ataque e defesa, para desenvolvimento, preparo, aperfeiçoamento das aptidões físicas e psicológicas para o verdadeiro combate, incorporando-os ao modelo mental de forma a torná-los parte de seus reflexos naturais, instintivo:

Muitas empresas isentam-se da responsabilidade de ter um calendário de Coding Dojos, UX Dojos, Startup Dojos, Open Spaces, Workshops com agile games, Hackatons, … Estas mesmas empresas reclamam que apenas um pequeno número de colaboradores comparecem fora de horário para participar de boas iniciativas, via de regra pessoais.

É preciso que as empresas parem para refletir o quanto custa ter equipes esforçadas ou equipes preparadas. Todos eles tem interesse, queremos aprender, fixar, melhorar, queremos melhores profissionais, mais colaborativos, mais efetivos, melhores testadores, desenvolvedores, analistas, líderes, UX, … mas nem todos topam ou podem ficar para aprender coisas novas entre as 19:00 e 22:00.

Dojos não são eventos para especialistas, são treinamentos abertos à toda a equipe, papéis e perfis envolvidos, todos deveriam estar presentes, termos diferentes níveis de conhecedores e conhecimentos. É na união de diferentes bagagens e vivências que obtemos o mix que resulta em geração e difusão de conhecimento, inovação e sustentabilidade:

  • Ambiente descontraído, divertido e sem pressão por resultados;
  • Clima de inovação e empreendedorismo, tentar fazer diferente;
  • Erros são bem-vindos, pois gerarão aprendizado e não prejuízo;
  • A discussão é no campo das ideias, não pessoalize ou culpe;
  • Treinar a ouvir antes de falar, cada um será aluno e professor;
  • Total sentimento mútuo de colaboração e cooperação.

Para empresas, deveria ser um esforço coordenado, incentivado pela governança e PMO, uma intensa forma de antecipar os próximos passos tecnológicos, promovendo o auto-ensino e aprendizado pelas próprias equipes em relação a técnicas e tecnologias, aprimoramento das vigentes ou preparação do futuro.

I. Coding Dojo

Pode ser de backend (Java, Dot NET, …) ou FrontEnd e ao contrário do entendimento de alguns NÃO é só para treinar testes unitários, o foco é Pair Programming e Code Review, discussão de conceitos de programação ágil, foco em produtividade, qualidade, cobertura, colaboração, primando sempre pelos três pilares do Scrum – transparência, inspeção e adaptação. O clássico é:

1. Até 15 pessoas em volta da mesa de reuniões, um só notebook, conectado ao projetor, inicia com uma dupla, sendo um o piloto e outro co-piloto;
2. Os dois falam em voz alta o que pretendem, discutem, mas só o piloto pode digitar, sempre deixando claro os seus propósitos, meios e objetivos;
3. Após 5 minutos, o piloto volta a ser platéia, o co-piloto assumo como piloto e o próximo da mesa assume como co-piloto, para que todos experimentem;
4. A platéia não pode sugerir ou questionar as decisões da dupla, mas pode perguntar se não estiver claro o que estão fazendo, não pode ser no escuro;
5. Segue o ciclo de desenvolvimento TDD (red-green-refactor), iniciando pela classe de testes, desenvolvendo a classe da solução, validando, refatorando.

II. UX Dojo

Semelhante ao Coding Dojo, podemos reunir profissionais de UX com analistas, desenvolvedores, clientes, desafiando-os a fazerem uma revolução em uma página, quebrando conceito, indo além nas boas práticas. Uma das técnicas constrói modelos e “maquetes”, peças em tamanho real ou exagerado do produto, podendo ser desenhos reais, simulações ou abstrações. Um formato que já rodei é:

10′ – Apresentação da capa e suas características pela PO, SEO e UX;
10′ – Debate aberto a todos para dúvidas e melhor entendimento;
05 – Formação das duplas, cada uma com um UX e um convidado;
20′ – cada dupla discute e desenha as suas proposiçõesd e melhorias;
Ciclos de 05′ – Cada dupla tem 5 minutos para apresentar suas ideias;
25′ – Debate aberto para montar uma proposta com o melhor de todas;
15′ – Avaliação do evento.

III. StartUp Dojo

Caia na real que inovação e empreendedorismo NÃO é coisa de startup, no mundo organizacional chama-se capacidade absortiva, que é a capacidade de uma equipe ou grupo resolver problemas, sendo criativo e inovador no aproveitamento de oportunidades ou eliminação de riscos.  Empresas que não entendem que inovação e empreendedorismo é cotidiano, é agilidade, é melhoria contínua, … estão aos poucos parando no tempo ou aguardam um milagre da área de P&D, nunca ouviram falar em Kaizen e desperdiçam 95% do seu capital intelectual.

1º. Lightning Talk sobre o Business Model Canvas;
2º. Divisão da galera em equipes entre 4 e 8;
3º. Debate para escolha de um negócio a ser detalhado;
4º. Decidido o negócio, montagem do Canvas dele;
5º. Apresentação do Canvas de cada equipe e questionamentos;
6º. Lições aprendidas e encerramento.

Nos Agile Brasil de 2011, 2012 e 2013 um assunto chamou a atenção, explodia uma profusão de palestras sobre StartUps, lightning talks, mãos na massa e muitos debates sobre formatos, modelos, Business Model Canvas, Lean Canvas, sobre o movimento Statup Dojo Brasil e seus filhotes em Brasília, Floripa, SP, RJ, …

IV. Maratonas

Por estas bandas, as “hackatonas” são eventos que reúnem uma galera decidida a modelar ou construir soluções ou serviços no intervalo de 1 ou 2 dias, chegando ao final com soluções modeladas ou publicadas em produção. A maioria das empresas acredita que isso é mais uma legalzisse do Facebook, Google, etc, não percebendo o potencial em energização, melhoria e crescimento coletivo.

Empresas como o FaceBook se utilizam deste expediente para mobilizar centenas de seus desenvolvedores, com dezenas de suas equipes mundo afora em uma atmosfera saudável, divertida, criativa e … competitiva. A intenção é tirar a galera da zona de conforte, é mostrar que a escala Agile não está só no projeto ou equipe, mas em toda a empresa, é uma estratégia organizacional de incentivo a inovação.

Existem maratonas no mundo digital e fora dele, eventos em empresas que buscam novas ideias, discussão, modelagens e prototipação. Mas o formato mais difundido e conhecido por nós da TI são iniciativas abertas ou internas a empresas, com dezenas de profissionais dispostos a construir algo em 1 ou 2 dias. Se envolver novatos, estudantes, aconselho a fazer um evento prévio para orientações e dicas, configurações, com veteranos, com basta wi-fi e café.

No dia, uma programação simples, boas-vindas, definição dos times, ideação (o ideal é provocar que todos já venham com ideias) e escolha do projeto por cada equipe, que pode ser de 3 a 5 integrantes. Permitir que mais de uma equipe trabalhe na mesma ideia de forma a construir algo maior e de mais valor.

V. Agile Games

Tenho convicção de que uma das melhores maneiras de fixar conteúdo sobre métodos e técnicas ágeis é através de “Agile Games”, quando os participantes são desafiados a simular e exercitar certos conceitos de forma controlada, de forma que seja possível gerar gargalos, riscos, situações em que decisões serão tomadas e logo depois analisadas.

Há dezenas deles, a cada evento sobre Agile é possível aprender mais um, exemplo do Alfabeto perdido aperfeiçoado pelo Eduardo Peres (DBServer), o Aviões 2.0 do Flávio Steffens (Woompa) e Rafael Prikladnicki (AGT), os de análise de negócios ágeis do Luiz Parzianello (RBS), Extreme Hour do Daniel Wildt (uMov.me), Mexendo o Fluxo do Paulo Caroli (ThoughtWorks), etc.

Eu os crio, adapto, utilizo semanalmente em workshops com líderes, equipes, clientes e outras áreas, desenvolvedores, testadores, executivos, tudo depende do objetivo, momento, oportunidades, equipes que se empenham em crescer, empresas que tentam entender e se inserir neste paradigma.

Conclusão

Acredito em “Experiência Vicária”, o valor de experimentar ou ver alguém semelhante a si experimentando situações que geram aprendizado, pelo exemplo, tanto pelo sucesso ou insucesso, pois o que aprendemos em dojos, Agile Games, hackatons, dinâmicas e simulações vivenciadas, dificilmente esqueceremos.

1

Polêmica: Rótulos, polarizações e paixões ágeis

Mais um post intenso no Baguete, na tentativa de responder a questionamentos, dúvidas e críticas aos métodos ágeis, não para defendê-los, posto que não é este meu papel, mas explicá-los da melhor forma, tentando olhar por todos os lados, entender todos os prismas, desmistificando lendas urbanas sobre este tema e tudo o mais que a audiência colocar na mesa.

Clica ai e da uma lida, mas mais que isto, comenta, sugere, inicialmente minha coluna no Baguete tinha um planejamento acadêmico, iniciaria pelos papéis, timeboxes, artefatos, regras, experiência, mas me dei conta que o caminho quem dá são os leitores, meu papel é provocar reflexões e tentar dirimir dúvidas:

http://www.baguete.com.br/colunistas/colunas/1173/jorge-horacio-audy/02/03/2013/rotulos-polarizacoes-e-paixoes-ageis
norris_chuck-norris

1

BurnDown é “sine qua non”

Tenho opinião de que não só o quadro e o burndown são “sine qua non”, mas também um artefato que facilite a cada um controlar o que já apropriou ou não, quanto apropriou no dia … ver-se como realmente fomos.

Para quem assistiu minhas palestras sobre a DAILY TRACKER, peço que leia com carinho, este material teve uma boa aceitação tanto na minha LT no Agile Brazil 2012 em São Paulo quanto no GUMA Agile Day aqui na UniRitter.

Desde a adoção até quando necessário, que a meu ver será para sempre, este novo instrumento proporciona que a galera vá registrando para SEU controle, quantas horas produtivas suas estão sendo apropriadas em diferentes postit’s a cada dia, esta informação lhe permitirá enriquecer as retrospectivas e a busca de uma taxa média de horas úteis produtivas por dia o mais realista possível.

O conceito da DAILY TRACKING é termos uma matriz com integrantes x datas da Sprint, que ficaria ao lado do quadro de tarefas e burndown, assim, cada um registraria ali o ID de cada tarefa e o tempo apropriado no postit naquele dia, assim, cada um pode facilmente perceber quantas horas apropriou e em quantas tarefas, permitindo perceber dispersão, alocação em pequenos extras não registrados, esquecimentos, etc. O objetivo é garantir que todos apropriem tudo no que trabalharam, buscando manter o foco e evitar desperdícios.

Para cada dia, a célula criada no cruzamento da linha (integrante) e coluna (data), eu criei um espaço para ID’s e tempos do sprint e um ADM, que é usado para tudo aquilo que não diz respeito ao Sprint, esclarecendo pequenos eventos que se dispersam em meio ao dia-a-dia e que podem passar desapercebidos:

IMG-20121213-00892

Não deixe de ler o artigo sobre o BurnDown no baguete, comenta lá se quiser!

quadro e burndown

1

Uma introdução ao método ágil Scrum

Apesar de eu já ter percorrido todos os papéis, timeboxes, artefatos e regras do Scrum aqui no blog, senti necessidade de um post introdutório ao método lá no Baguete, texto disponível em “Uma breve introdução ao método ágil Scrum“.

Por outro lado, tenho convicção de que muitos leitores deste blog, na correria do dia-a-dia, não perceberam a existência de páginas especiais no meu menu:

Be-a-Bá Scrum – Uma página dedicada a apresentação do método e links dos post mais relevantes – jorgekotickaudy.wordpress.com/be-a-ba-do-scrum

Be-a-Bá PDCL – Uma página dedicada a apresentação de um modelo iterativo básico para todos – jorgekotickaudy.wordpress.com/be-a-ba-do-PDCL

BlogMap – Página dedicada a categorizar todos os posts que considero relevantes – https://jorgekotickaudy.wordpress.com/blogmap, cfe segue:

  • Estratégia
  • Pessoas
  • Operação
  • Execução
  • Disciplinas extras
  • TecnoTalks
  • Eventos de GU’s
  • Eventos Diversos

Agenda – Todos os eventos que considero de utilidade direta ou indireta, coloco $ ao lado dos pagos –  https://jorgekotickaudy.wordpress.com/agenda/

Links Úteis – Página dedicada a apresentar links interessantes, livros e artigos, publicações  – https://jorgekotickaudy.wordpress.com/biblioteca/, cfe segue:

  • Links sugeridos
  • Links de referência do GUMA-RS e eventos locais
  • Links para StartUps
  • Alguns Blogs de colegas da RBS
  • Biblioteca virtual (diversos livros sobre agilidade)
  • Citações e publicações na mídia    :)
  • 15 livrinhos escoteiros editados por mim

150964_547801338563199_1286935819_n