Facilitação – Mitigando o comportamento disfuncional

Modelos mentais contemporâneos, colaborativos, se utilizam de estudos da psicologia, sociologia, até da biologia para formar equipes auto-organizadas, com foco permanente em auto-conhecimento e melhoria contínua para ideação, modelagem, planejamento, execução e atingimento de seu melhor possível.

Quer em uma reunião, projeto, fluxo de trabalho, nosso dia-a-dia baseia-se em muita interação humana e por melhor que sejam ferramentas e processos, é preciso entender e proporcionar que elas se entendam para otimizar talentos, mitigar resistências sub-conscientes e comportamentos disfuncionais.

Na gestão por competências fala-se cada vez mais em profissionais de PERFIL T, equipes auto-organizadas, mas também no papel singular ou compartilhado de facilitadores, atuando por vezes como mentores, coach, terapeutas, logística, desimpedidor de barreiras físicas e/ou psicológicas.

Nas dinâmicas de grupo, o papel do facilitador é alguém que ajuda as pessoas a compreenderem os seus objetivos comuns, auxiliando-os a planejar como alcança-los e executá-los. Ao invés de tomar partidos, incentiva a interação entre as pessoas do grupo de forma assertiva e produtiva, orientados a resultados.

Na biologia, a teoria dos sistemas auto-organizados tem caráter transdisciplinar, aplicando-se à descrição e entendimento de sistemas abertos cuja dinâmica organizacional decorre principalmente da interação de suas partes, assegurando-se também um papel construtivo para suas relações com o ambiente.

Nas organizações, o princípio da auto-organização dos times foi disseminado pelo Lean Toyota no Japão na década de 50. Eles propuseram equipes pequenas, com maior participação entre todos os envolvidos, comprovando que uma maior interação e maior autonomia geravam maior satisfação e melhores resultados.

Na psicologia social, aspectos motivacionais consciente e inconscientes foram estudados por Albert Bandura (1994) em sua teoria sobre aprendizado vicariante e auto-eficácia, baseados em auto-conhecimento e coletividade. Também Tuckman na sua proposição da curva de aprendizado para e durante a formação de grupos.

O FACILITADOR

O método ágil mais utilizado no mundo é o SCRUM, nele temos a convicção de que atividades em equipe são melhor aproveitadas quando temos um facilitador, pessoa que otimiza a dinâmica de grupo com uma boa ToolBox e conhecimento.

facilitator-toolkit

Empresas de grande porte já perceberam as vantagens em possuir pessoas dedicadas a desenvolverem-se como facilitadores, atuando hora como mentor, coach, instrutor, apoio logístico e tático frente a impedimentos.

Mais que os outros, deve ter crença que quanto mais aproximar, gerar sinergia, identidade, foco em objetivos comuns gerando senso de pertença, evitando a “minha parte” e gerando “o resultado que gera valor e devemos atingir juntos”.

O essencial é ter uma boa habilidade interpessoal, estudar sempre, interagir, acreditar, para ter bons argumentos e poder de negociação, saber sempre influenciar o double-loop de Argyris, pareto, análises causais e não só o efeito.

A FACILITAÇÃO

Como diria Juran, tudo resume-se a poucos vitais em meio a muitos triviais, a facilitação diz respeito a manter o foco no que é relevante, para isso é preciso sempre preparo e planejamento, deixar ao acaso é sempre um risco maior.

No caso de métodos, processos, fluxo de trabalho, projetos, há momentos propícios para cada coisa, há degraus necessários a cada passo, ao mesmo tempo é preciso segui-los e manter-se aberto a mudanças de valor e factíveis.

Valorizar o “ouvir” e o “entender” mais que o falar, usando técnicas orais, visuais, auditivas, motoras, garantindo a base de conhecimento comum para a tomada de decisão pertinente a cada momento. Em uma frase, ousaria afirmar que facilitar é:

Antecipe-se, gere auto-conhecimento e reflexão, pessoas esclarecidas mitigam riscos e aproveitam oportunidades, mantenha o foco naquilo que gera valor, evitando ou mitigando desperdícios, não tem melhor argumento que ótimos resultados.

Se por um lado não existe receita de bolo, por outro há boas práticas de sucesso utilizadas no mundo, na empresa, nas equipes ao lado, o fato de cada grupo ter peculiaridades e dinâmica interna não quer dizer que poderiam ser ilhas.

HUMANIDADE

O pior líder, equipe, profissional, facilitador ou pessoa é aquela que idealiza e se recusa a entender o quanto esta idealização possui desvios com a sua realidade, o quanto a realidade exige tempo e energia para aproximar-se daquele ideal.

Tuckman fala em fases de Forming, Storming, Norming, Performing e Adjourning, as artes marciais falam em Shu-Ha-Ri, para sermos algo é preciso saber o que é isso e trabalhar para chegar lá, passo-a-passo, com estratégia.

Muita gente exige do facilitador uma toolbox de dinâmicas, jogos e técnicas que tenham o aspecto mágico de resolver seus problemas … as vezes funciona, outras não, pois brief não é empatia, exige um mínimo de tempo e interação.

Sem tempo e interação … é passível chegar em um grupo para facilitar um pré-game, planejamento ou ciclos de execução e após alguns minutos perceber que a técnica ou abordagem escolhidos precisam ser alterados.

Quando alguém espera algo mágico para resolver o que somos – um sistema complexo (vide Cynefin) – discuto o quanto este reducionismo é uma fuga do desafio de esclarecimento, aprendizado e melhoria do mindset vigente.

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