Startup Quest – um novo modelo para startups e soluções inovadoras

Com a adoção da cultura Startup por grandes empresas, o Gartner propôs em 2012 uma combinação de modelos a seus clientes e ao mercado – design thinking, lean startup, UX, Agile. Acredito nisso, participo de projetos, experimentos e debates sobre esta simbiose de ferramentas, geradora de uma poderosa Toolbox para pequenos, médios e grandes.

Por quê? Quando? Qual? Design Thinking, Lean Manufacturing, Lean Startup,  Design Sprint ou Agile? | by Raquel Deneige | Medium

Mas, na minha opinião, estes modelos induzem a ver uma jornada linear, da esquerda para a direita, ao invés de uma espiral interativa. A cada ciclo reiniciamos com um novo desafio incremental, onde usaremos reiteradamente os princípios, abordagens e técnicas do Lean Startup, Design, UX, Agile, … a cada passo, novos desafios e hipóteses a validar.

MODELO STARTUP QUEST

Proponho aqui o modelo “Startup Quest”, uma espiral para soluções inovadoras. É para ser um modelo didático, por isso está organizado da seguinte forma: A esquerda temos 6 (seis) forças motrizes, ao centro um ciclo de 4 (quatro) disciplinas, a direita uma espiral com 7 (sete) etapas evolutivas, desde a ideia ao desenvolvimento.

A essência do modelo está em uma espiral, onde a cada giro definimos a estratégia mais adequada para aquele momento, a partir do problema que queremos resolver, ideia, modelo, protótipo, produto, … Para desenvolvê-lo, usaremos princípios e técnicas do Design e do Agile, visando gerar valor de forma enxuta, em prazos e custos adequado.

Eu pensei muito sobre a explicitação do Lean Startup, mas Steve Blank e Eric Ries não são um ciclo ou passo, são o mindset, o customer development é a base para todo o modelo, está implícito na espiral, a cada giro, em eventuais pivots que mudem o entendimento do problema ou da ideia de solução … ele não precisa estar explícito, é o ar que nos oxigena.

A ALEGORIA DA ESCALADA

Fossemos escalar o Everest e em nosso PERCURSO teríamos o acampamento base, 1, 2, 3 até o cume, representando os passos da nossa solução – problema, ideia, modelagem, prototipação, MVP, MMP, negócio. Para dar certo, temos nossa MOCHILA com o equipamento necessário para sobreviver e avançar, mitigando os riscos inerentes a uma escalada desta natureza. Na nossa mochila temos os métodos, ferramentas, técnicas e boas práticas, nela temos o lean startup, o design thinking, métodos ágeis, simbolizando nossa toolbox e de nossos parceiros. Sempre há um trabalho de equipe, nunca se escala sozinho, nem sem mochila …

UM RALLY DE RESISTÊNCIA

Em um Rally, o percurso são as etapas que devemos percorrer, com ou sem paradas – Desafio, modelo, protótipo, MVP, MMP, produto, empresa – enquanto o carro, mapa, GPS, técnicas, equipe, são os métodos e boas práticas que vamos reutilizar a cada trecho. É preciso estar se comunicando o tempo todo, aferindo e fazendo cálculos, analisando o mapa, aferindo o GPS, atento ao tempo e a comunicação com a equipe, tem a gasolina, pressão do óleo, radiador, … há vários tipos de rally, assim como estratégias de uma startup, estrada, cross country, resistência, regularidade, usando um carro, jeep ou um Toyota Pajero com apoio do fabricante.

PROPÓSITO E HUMANIDADE

Tudo inicia pelo nosso PROPÓSITO, o que nos move, porque empreender. Uma referência comum são os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU, gerar valor de forma equânime, equilibrando a forma como é gerado, distribuído e mantido. É responsabilidade de todos e per si são fonte inesgotável de novas soluções e inovação de interesse social.

Nele, é preciso termos interesse em RELACIONAMENTO HUMANO, pois escuta ativa, ética e empatia NÃO é só com o cliente, mas sócios, parceiros, colaboradores, estabelecendo sempre comunicação e ambiente positivos. Ser ágil na agilidade, usar princípios, foco, equidade e ciclos iterativo-incrementais-articulados para antecipar e melhorar.

Na alegoria à escalada do monte Everest, tão importante quanto preparo e equipamento, são parceiros de viajem. Aqueles que deveremos contar uns com os outros para superar os obstáculos – contrapeso, apoio, influenciando nosso ânimo e engajamento e vice-versa. Cada um deles é importante, com benefícios em equidade até o objetivo … o cume!

1. FORÇAS MOTRIZES

Apoiadas e alimentadas por nosso propósito, temos seis forças motrizes, apresentadas à esquerda no modelo, simbolizando a energia necessária para fazer girar a espiral de desenvolvimento. Cada uma delas exige empenho e juntas geram o substrato necessário para desenvolvimento de uma solução inovadora, desenvolvimento de clientes, escalar a solução e a empresa, enquanto organização:

  1. ECOSSISTEMAS – Pertencer a uma comunidade, acelerar seu desenvolvimento pela interação com outras startups, empresas e profissionais – associações, aceleradoras, incubadoras, parques tecnológicos, hubs, …;
  2. MERCADO – Participar direta e indiretamente do mercado-alvo, adquirindo conhecimentos necessários, mas também gerando conhecimentos e interagindo pró-ativamente, o que acelera sua visibilidade e espectro;
  3. INVESTIDORES – Governo, universidade, empresa e investidores vem construindo alguns dos ecossistemas mais ativos e inovadores no Brasil e no mundo. Cito bootstrap, investidores-anjos, capital semente, venture, building, etc;
  4. PARCERIAS – Nada mais categórico que enxergar parcerias não como uma necessidade, mas a maior oportunidade ao alcance de uma startup. HWang em sua teoria Rain Forest, destaca estas simbioses como a força do Vale do Silício;
  5. EQUIPE(S) – Um produto ou serviço necessita de uma equipe, pois mesmo com recursos limitados, é preciso montar a equipepossível e necessária a cada passo, sem desperdícios. Envolver, engajar, desenvolver, desafiar e retribuir;
  6. TECNOLOGIA – Tudo é tecnologia, métodos, técnicas, boas práticas, hardware e software, é preciso selecionar, experimentar, aprender e melhorar, novamente sem desperdícios, o exclusivamente necessário a cada passo.

2. CICLO DE DESENVOLVIMENTO

O ciclo representa o desenvolvimento – uma estratégia compatível a cada passo, uso de técnicas de empatia e modelagem do design thinking, seguido de planejamento e execução ágil, todas elas permeadas por uma abordagem orientada a dados e evidencias. A pesquisa exploratória tem seu ciclo, o protótipo também, o MVP tem seu ciclo, o MMP e ganhar escala.

Há equívocos na interpretação do design thinking como passo inicial de empatia e co-criação, minha visão e uso é bem mais amplo, temos ciclos onde o mindset e técnicas do DT são recorrentemente aproveitadas, assim como princípios e métodos ágeis, óbviamente fruto de um plano, sob uma estratégia, sempre orientado a dados.

  1. ESTRATÉGIA – Estabelece o ciclo em curso, nos ajudando a compreender qual é o nosso desafio na jornada que estamos empreendendo, propondo um setup mental e preparação dos recursos e pessoas necessárias. Simboliza a estratégia sobre o nível de abstração em curso ou desenvolvimento que nos desafiamos a co-criar e validar;
  2. DESIGN THINKING – A cada ciclo, podemos ter as mesmas ferramentas e técnicas a serviço de um novo passo, em diferente profundidade e materialização, desde a concepção, primeiras validações, estágios primordiais da solução. Com uma proposta de empatia, entendimento, brainstorming, prototipação e testes, ajudará a nos manter com o mínimo desperdício;
  3. AGILE THINKING – A construção de um time ágil e gestão ágil de projetos, desde o momento de concepção, passando pela modelagem e protótipos de baixa, alta, MVP ou MMP’s, até a escala, manterá os princípios ágeis, gestão visual, ciclos curtos de feedback e melhoria contínua para máxima aceleração e empirismo;
  4. EVIDENCE BASED – Representa a constante coleta de dados em cada ciclo e em cada passo, gerando métricas, indicadores e dados de pesquisa, construção e funil, que pode ter um aspecto mais conceitual ou material conforme avançamos. Data Driven e Growth Hacking como fonte de inspiração ao não desperdício de informações.

3. A ESPIRAL DE DESENVOLVIMENTO

Tudo parte de um problema ou DESAFIO que mereça ser atendido, é o primeiro passo do Lean Startup, é a base da espiral aqui proposta. Esta é a essência que irá nos acompanhar em toda a espiral, a cada passo estaremos revendo, relembrando e evoluindo nosso entendimento do problema que embasa e motiva a solução que estamos desenvolvendo.

Steve Blank afirma que não podemos dar maior valor à solução que ao problema, não podemos nos apaixonar pela solução, mas pelo problema, isso nos permitirá uma escuta ativa e mudar se preciso, porque o que buscamos é uma solução que resolva um problema da vida real. Esta premissa nos autoriza a pivotar até encontrar nosso desafio, uma solução.

A cada ciclo, a espiral exigirá uma estratégia para levar a bom termo o seu ciclo de desenvolvimento, representativos no desenvolvimento de uma solução inovadora, clientes e mercado. Não é obrigatório passar por todos os ciclos previstos, porque é possível imaginar a aceleração ou retroação do fluxo.

  • Problema – Um problema que merece e vale ser solucionado, apaixone-se pelo problema!
  • Ideia – O trabalho de desenvolvimento de ideias em sintonia, empatia e sinergia com o mercado;
  • Protótipos – Construção e validação de pretótipos, protótipos, wizard of oz, exige planejamento;
  • Modelo – O desenvolvimento de modelos conceituais do produto, serviço e negócio;
  • MVP – A possibilidade de construção de mínimos produtos viáveis para validar hipóteses-chave;
  • MMP – O lançamentos de versões comerciais, Betas, candidatos e seus releases incrementais;
  • Escalando o Produto – É chegada a hora de crescer, go to market, escalar a produção;
  • Escalando a Empresa – Produto escalado, é preciso escalar o negócio, a empresa como um todo.

Gosto do modelo de combinação, que o Gartner propôs com sucesso, com três estágios, o de Lean Startup, Design Thinking e Metodologias Ágeis, mas um modelo cíclico em espiral representa mais para mim o desafio de uma startup no desafio evolutivo e cumulativo de um product-market-fit.

PRÓXIMOS PASSOS Startup Quest

A segunda fase vai envolver um guia de causa-efeito-ação para cada etapa da espiral (ou escalada do Everest se preferir), de forma a oferecer abordagens e dicas sobre pontos chave e técnicas aplicadas, as vezes igual e outras de forma diferente, a cada ciclo executado. Será um ponto de contato entre o Startup Quest e principais ítens do Desafio Toolbos 360°. O assessment pode ter quesitos relevantes e permitir gerar planos de ação (barras vermelhas), como abaixo:

Mas um passo de cada vez, enquanto isso, abaixo propus uma visão estruturada de quesitos caros a uma startup …

DESAFIO TOOLBOX PARA STARTUPS

O modelo acima tem como extra o conjunto de ‘cards‘ abaixo, contendo agrupamentos intrínsecos ao desenvolvimento de uma solução inovadora por uma startup, oferecendo drivers e abordagens reconhecidas como estratégicas em nove categorias. O objetivo é instigar a reflexão, o debate, gap analysis e plano de ação.

A alegoria é a de um baralho, onde cada carta representa uma reflexão sobre quesitos relevantes no desenvolvimento de soluções e startups. O objetivo é didático, proporcionando auto-conhecimento e auto-diagnóstico sobre temas relevantes para o sucesso.

INSPIRAÇÃO – Diferentes perspectivas sobre fontes de conhecimento e informações:

Propósito ; Banco de Ideias ; Eventos Startups ; Eventos variados ; A grande rede ; Design Sprint ;

CONEXÕESPrismas relacionados a conexões, relacionamento, ecossistemas e assimilação;

Comunidades startups ; Ecossistemas ; Mentoria e Coaching ; Networking ativo ; Parcerias estratégicas ; Presença digital

ABORDAGEM – Diferentes modelos conceituais que atuam como substrato ou modelo mental;

Effectuation ; Game Storming ; Lean Startup ; Métodos ágeis ; Toolbox 360° ; Design Thinking

PESSOASAspectos geradores de valor através do desenvolvimento humano e coletivo;

Team Building ; Employee experience ; Capacidade absortiva ; Mídia e visibilidade ; Jogos 360° ; Liderança

EMPATIA E MODELAGEM – Abordagens essenciais para a definição daquilo que se quer e necessita;

Desafio de Design ; Personas ; Consultas ; Proposta de Valor ; Jornada ; Brainstorming

PROTOTIPAÇÃO E TESTES – Alavancagem para apresentação e validação de nossos pressupostos;

Pre/Prototipação ; Hipóteses ; Plano de Validação ; Pivot e escopo aberto ; Showcase – Pitch

PLANO TÁTICO – Reflexões e planos essenciais para construir uma espiral de desenvolvimento:

Business Model ; MVP-MMP-Releases ; Product Roadmap ; Investimento ; Growth Mindset ; Go to Market

PROJETOS – Peças singulares para projetos geradores de valor, aprendizados e melhoria contínua:

Planejamento ; UX – User Experience ; Product Backlog ; Tecnologia ; PDCL (empirismo) ; Testes

EXPERIÊNCIA – Agregar valor, monitorar e analisar a experiência em prol de human centered design:

Gestão visual ; EBM (gestão por evidências) ; Feedbacks ; Storytelling ; Piloto e Rollout ; Gamification

EXTRAS

A seguir abordagens adicionais e complementares, pois o Startup Quest oferece uma abordagem metodológica de alto nível, substrato onde serão aplicadas técnicas e boas práticas em uma granularidade menor e mais específica. Por exemplo, no TOOLBOX 360°, temos facilitação, canvas, modelos, boas práticas, … úteis na implementação de cada card acima.

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